Maria vai com as outras

Recentemente o Facebook tem se enchido de postagens e compartilhamentos com manifestações sobre causas sociais, indignações diversas e outros assuntos que são discutidos por um ou dois dias inteiros e logo em seguida são substituídos por outros temas. É um ciclo de opiniões próprias que, na grande maioria, são apenas pensamentos induzidos pela massa ativa.

Eu tenho observado o quanto as pessoas têm se preocupado em querer fazer parte das causas. Aliás, não das causas, mas das discussões que envolvem algo onde a repercussão é grande. Eu não condeno essa atitude, mas também não sou favor. Cada um posta o que bem entender, e essa leva de compartilhamentos – que às vezes parece um disco arranhado – pode surtir um efeito positivo, a depender do caso ou da causa.

Porém, eu não me vejo na obrigação de fazer parte disso. Por muito tempo cheguei a pensar que eu só postava conteúdos bobos ou fúteis, mas hoje eu vejo que não é bem assim. Meu perfil na rede social não me define por completo, e lá eu posso simplesmente postar meus gostos pessoais, meu dia-a-dia, minhas alegrias ou tristezas, sem necessariamente fazer parte da massa ativa.

Eu apoio a comunidade gay, por exemplo, e fiquei contente com a legalização do casamento homoafetivo nos Estados Unidos, só que eu não me vi na obrigação de mudar o avatar do meu perfil com as cores da bandeira gay. E mesmo não sendo obrigado, eu meio que senti uma pressão das pessoas que apoiam – ou se dizem apoiar – a causa em ter que alterar a foto do perfil graças a um aplicativo produzido pelo próprio Facebook. E o pior é que, a partir das pessoas que não apoiam esta causa, uma nova discussão foi gerada (a la disco arranhado) ao afirmarem que era apenas uma modinha, ou que os brasileiros estavam comemorando uma vitória que era dos EUA, ou ainda que há assuntos mais importantes a serem tratados, como a fome na África.

O fato é que ninguém nunca está satisfeito, nem consigo mesmo, nem com o outro e muito menos com o mundo. Por isso me recuso a ficar postando minhas opiniões no Facebook, não importa quão grande seja a repercussão. Mas isso não quer dizer que eu não esteja atento aos fatos do mundo, pelo contrário. Se eu quiser alguma mudança social, eu devo começar por mim mesmo. Uma postagem em alguma rede social não vai mudar nada. Claro que há situações diversas, onde a massificação de postagens pode gerar um resultado satisfatório para uma comunidade ou nação. Mas são raras as exceções.

Então eu prefiro usar o meu perfil para postar conteúdos referentes a mim, e não sobre o outro. Ah, mas é claro também que eu compartilho coisas de interesse público. O que eu quero deixar claro, seja para quem for, é que se eu troco ou não a foto do meu perfil, ou se eu posto ou não a hashtag #SomosTodosMaju, é uma opção minha, porque se eu for apoiar o casamento gay ou combater o racismo, eu irei fazê-lo fora da tela do computador.

Nesses últimos dias uma música tem se fixado em minha mente. O grande humanitário Michael Jackson já dizia em Man in the Mirror:

“Eu estou começando com o homem no espelho / Estou lhe pedindo que mude suas maneiras / E nenhuma mensagem poderia ser mais clara: / Se você quer fazer do mundo um lugar melhor / Olhe para si mesmo e faça essa mudança”.

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