O que precisa mudar no Programa Eliana


Já faz um bom tempo que o Programa Eliana, exibido nas tardes de domingo pelo SBT, tem sido massante com seus apenas dois quadros por programa. O que antes trazia uma grande variedade de assuntos e matérias, hoje se resume em apenas dois únicos temas em 4 horas de programação!

De antemão, é com grande carinho, respeito e até um pesar que eu abordo isso no meu blog. Sou fã da apresentadora desde os anos 90 e eu sempre admirei sua forma de apresentar os programas com muito carisma, quadros divertidos e o diferencial: informação! Mesmo migrando para o público familiar com o Tudo é Possível e, anos depois, com o Eliana, sempre houve uma dinâmica com o balanceamento entre quadros engraçados/divertidos, assistencialismo e matérias externas.

Tudo ia bem, até a gravidez de risco e o tão esperado nascimento da Manuela. Durante um ano inteiro, o programa perdeu seu ritmo. E na minha visão de fã e telespectador, entendi que a apresentadora diminuiu também o seu ritmo de trabalho para se dedicar mais à sua família, principalmente depois dos momentos de angústia que passou - foram 5 meses afastada da televisão por conta de um descolamento da placenta.

No final de 2018 a Eliana entrou de férias e retornou em março de 2019 com programas inéditos. Minhas expectativas estavam altas, afinal, ela tirou um bom descanso e voltaria mais inspirada. Me enganei... Até o momento, o programa de 4 horas continua massante: são 2 horas mostrando a vida de alguém que faz a diferença para a comunidade e as outras duas horas são para mostrar o Minha Mulher Que Manda ou apresentar o Famosos da Internet. Sinto dizer, mas está chato. Cadê as viagens? A ciência? As dicas de casa/cozinha? As atrações musicais? Sinceramente? Eu acredito que o programa só está chegando ao segundo lugar porque a concorrência consegue ser mais chata.

De que adianta eu criticar sem apresentar possíveis soluções? Segue abaixo uma listagem de dicas que poderiam dar um up no programa (aos meus olhos, obviamente)!

Viagens

A Eliana sempre nos mostrou diversos locais no mundo desde os anos 90. Quem não se lembra das suas idas à Disney e ao SeaWorld? Ou mesmo da icônica viagem ao Egito, na qual ela foi a primeira apresentadora a ter permissão para visitar as pirâmides. No momento ela não precisa sair do país, pois entendo que tenha filhos pequenos e os custos para levar a equipe são altos. Mas seria interessante ela apresentar as diversas regiões do nosso próprio país (embora eu sonhe com ela mostrando as riquezas culturais da Inglaterra).

Eu imagino uma espécie de "Viagem pelo Brasil", onde a cada mês ela visitaria 4 cidades ou 4 estados de uma mesma região (seria uma cidade por domingo, totalizando 4 programas = 1 mês / cada mês seria uma região ou Estado brasileiro). Assim, a cada mês o público conheceria diversos locais de nosso próprio país. E para ficar mais dinâmico, a Narcisa estaria presente, assim como a chef Andreia com o Cardápio Surpresa (apenas 1 por mês para não ficar massante), e quem sabe voltar a parceria com o biólogo Sérgio Rangel e mostrar os animais típicos daquela região e reforçar os cuidados com a natureza e os sérios problemas de extinção? Vale salientar que estamos enfrentando uma grande crise ambiental. Ah! A chef Andreia ou o Bertolazzi poderiam também ensinar receitas típicas de acordo com o local visitado.

Eliana visita o SeaWorld em 2001 com Chiquinho e Sérgio Rangel.
Assistencialismo

O assistencialismo já se tornou uma marca do programa. E ao contrário de outras emissoras que focam no sensacionalismo e nas desgraças alheias, a Eliana foca no lado humanitário das personagens e utiliza essas histórias como fonte de superação. Porém, passar até 2h30 só focando nisso deixa o ritmo do programa bem lento.

Foi-se o tempo em que a Eliana fazia as reportagens in loco. O ideal seria sair mais do estúdio e ela mesma apresentar essas histórias; fica muito mais interessante e pé no chão.

Adendo: além do assistencialismo proposto, seria muito válido dar mais espaço para a visibilidade LGBTQ+, por exemplo. Sei que não é o foco do programa ou da emissora, mas convenhamos que a grande maioria dos fãs homens da Eliana são gays, e estes a estão sempre enaltecendo de diva, rainha, fada etc. Mas os únicos momentos "gays" são com piadas (porém não com maldades) em momentos mínimos, como algum participante do Famosos da Internet, por exemplo.

A Eliana fez um excepcional trabalho de empoderamento com a #ElianaPorTodasElas, alertando e orientando as mulheres sobre relacionamentos abusivos e violência doméstica. O público principal do programa é feminino, mas temos também as ditas minorias. Então, que tal uma vez ou outra apresentar uma ONG que auxilia LGBTs expulsos de casas? Sim, é algo muito delicado de se abordar em horário nobre da televisão aberta, mas alguém precisa fazer. Vocês viram que a apresentadora sofreu um boicote pelos ditos "cidadãos de bens" por defender a criminalização da LGBTfobia e por entrevistar Pabllo Vittar? Acabou que o programa ficou em segundo lugar no Ibope! rs

Eliana visita escola onde voluntária dá aulas de ballet.
Musicais

As atrações musicais andam bem fraquinhas no programa. Geralmente é algum artista que aparece durante algum momento de um quadro de assistencialismo ou no meio do Famosos da Internet; canta uma música e vai embora. Saudades de quando levavam a banda inteira e cantavam ao vivo, interagiam mais. No programa Tudo é Possível a Eliana chegou a fazer duetos com Daniel e Rodrigo Faro, e no SBT chegou a cantar com Marcos e Belutti. Não seria nada mal uma #ElianaCanta, com desafios musicais para a apresentadora cantar com um artista no palco. Ela mesmo diz que sente falta de cantar mas não sabe que estilo ela poderia seguir. Tá ai a resposta!

Variedades

Um dos quadros que eu mais gostava era o Dance Se Puder e Os Opostos Se Atraem?. O Rola ou Enrola era divertido também, mas saturou, principalmente porque não mostravam mais como tinha sido o encontro de alguns participantes e não soava mais natural. A Sueli com dicas práticas foi extinta. A competição Guerra das Tesouras era interessante, mas aquela poc arrogante ter vencido foi o cúmulo!

As externas do programa sempre foram bacanas, como por exemplo o Você tem 1 Minuto? (ver a Eliana no meio do povão era impagável), mas o Flores Delivery era meio fraquinho. O Beleza Renovada não pode acabar! Ver mulheres incríveis tendo sua autoestima renovadas é de certo inspirador e empoderador. Força do Bem e História de Vida são bastante emocionantes, mas trazem aquele assistencialismo com horas de duração.

#ElianaDança

A apresentadora já dançou Madonna, PSY, Anitta, Rihanna, Chiquititas e está sempre dançando nos intervalos das gravações. Ela chegou a ensaiar Circus, da Britney Spears, mas acabou sendo adiado (acredito que por conta da gravidez). Acho que já passou da hora de #ElianaDança se tornar um quadro fixo. Seria uma ótima oportunidade de continuarmos vendo o lado artístico da apresentadora, já que a mesma parou de cantar (o que é muito triste para os fãs).
Em 2012 Eliana iniciou seu programa com um flashmob do viral Gangnam Style.
Cenário/Atrações

O cenário é lindo, moderno, elegante e espaçoso, mas é pouco explorado. Em 2009 a Eliana ao menos começava o programa com uma entrada toda pomposa (saudades). Atualmente, o programa já inicia mostrando todas as atrações, e a cada intervalo tem mais spoilers, o que tira o elemento surpresa. Poxa... Deixa a apresentadora começar o programa entrando pelo cenário, de forma mais orgânica, interagindo com a plateia e o pessoal de casa, citando as atrações mas sem mostrar tudo o que vai acontecer! Esse era um dos detalhes mais legais de quando era ao vivo. Aliás, volta pro ao vivo! É só encher de quadros novos e curtir o palco junto com o público.

Eliana faz entrada em apresentação de novo cenário em 2018.

Interação com o público

A interação com o público praticamente se perdeu. Só o que temos é a #Eliana no Twitter. Mas se a produção focasse no #ElianaDança, por exemplo, a interação seria bem bacana. Imagine se a cada mês ela sugerisse duas danças, tipo Beyoncé e Rihanna, e o público teria que votar por SMS. Na gravação do encerramento a Eliana poderia gravar os dois resultados, e aí, quando a votação encerrasse, a produção colocava no ar o resultado vencedor.

Outro tipo de interação também poderia ser com a platéia. O pessoal está ali só de enfeite.

Uma competição saudável também seria bem vinda. Ou com alguém da platéia ou com artistas convidados. O importante seria dar uma movimentada pelo cenário e interagir com o público.

Eliana Visita

Outro quadro que eu adoro e sinto falta é o Eliana Visita, onde a apresentadora visita a casa ou cidade natal de artistas. Apesar de ser bem demorado, é divertido de ser assistido e interessante mostrar como vive/vivia tal personalidade. Se bem que algumas vezes foram os artistas que gravaram na casa da apresentadora, como foi o caso de Luan Santana. De todo modo foi ótimo conhecer um pouquinho mais da mansão.

E as crianças?

Quando migrou para o público adulto, Eliana deixou claro que não deixaria os pequenininhos, e isso foi verdade durante um tempo. Haviam alguns quadros onde crianças participavam do programa. Mas isso também foi desaparecendo aos poucos. Além disso, o público gosta de uma nostalgia. Que tal unir o útil ao agradável e criar um quadro onde crianças possam conhecer a "Eliana dos Dedinhos"? Tipo uma competição saudável onde grupos ou duplas de crianças precisam aprender e se apresentar com músicas/coreografias da Eliana, podendo haver a participação do Chiquinho no juri. Talvez a própria Eliana poderia dar dicas para os participantes, a fim de aumentar essa nostalgia e honrar sua fase infantil. Pensa que bonitinho o Arthur assistindo a mamãe fazendo o que ela apresentava para crianças da idade dele! 

Será que isso poderia soar como algo narcisista? Eu não gostaria que o público tivesse uma reação adversa. Mas a ideia está lançada...

E por falar nisso, a sonoplastia do programa insiste em tocar músicas antigas que já haviam sido regravadas por Eliana e sempre me questiono: "Por que não tocam as músicas gravadas por ela?"

Conclusão

Tendo tudo isso em vista, eu espero que a produção do programa já esteja programando algo para deixar a atração dominical mais dinâmica com o retorno de alguns ou a compra de novos formatos. Eu AMO a Eliana e não perco nenhum domingo, sempre assisto com a minha mãe, inclusive, porém ultimamente tem sido um pouquinho chato e me dói ter que assumir isso.

Contudo, esse texto é uma crítica construtiva com sugestões do que eu gostaria de assistir. Estamos passando por momentos catastróficos no país, com uma política cada vez mais corrupta e tragédias novas a cada semana. O que esperamos de um domingo à tarde é um momento de diversão com a família, e não histórias tristes por 2h seguidas (saliento que o problema não são as histórias, mas sim a forma massante e engessada que isso é passado).

Espero que esse singelo texto sirva como uma reflexão para os fãs e telespectadores que admiram o trabalho da Eliana e anseiam por novidades positivas nas tardes dominicais. Afinal, ela é a única mulher a comandar um programa em pleno horário nobre do dia e merece todo o sucesso.

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