Clímax


Hey, hey!

Eu estive pensando comigo mesmo e refleti um pouco sobre as minhas manias excêntricas. Uma delas é a de querer preservar tudo o que mais gosto. Por exemplo, se compro CDs ou DVDs novos eu gosto de mantê-los intactos; se eu compro roupas novas eu as guardo e só as visto em ocasiões que eu ache de extrema importância. O engraçado é que essa mania também se aplica aos alimentos que mais gosto.

Desde pequeno eu tenho essa necessidade de praticamente idolatrar bens materiais. Não sei exatamente o porquê, mas com certeza muitas pessoas possam se identificar com isso. A maioria das pessoas que eu conheço, por exemplo, compram roupas num dia e em menos de 24 horas já estão usando-as. Eu realmente não consigo! Tenho uma blusa e uma camisa que eu comprei e gostei tanto que eu não quero vesti-las. Por quê? A sensação é de que se eu usar algo novo, o objeto vai perder a característica de novidade. Além disso, tudo o que eu compro é com um certo carinho, então sinto essa necessidade de proteger as minhas coisas. 

Minhas comidas prediletas também passam por isso. Quer um exemplo claro? Eu sou louco por Nutella, e já faz um mês que comprei um pote para comer. Mas até hoje está com o lacre. Eu fico guardando para "momentos especiais". E não pense que esses momentos são com amigos ou no preparo de uma receita gourmet. Meus momentos especiais são hábitos que eu considero únicos, quase que um ritual. Para mim, assistir à Eliana (por quem eu sou completamente apaixonado [como fã]) e comer Nutella ao mesmo tempo é tão importante quanto ir à uma igreja e orar ou tomar a hóstia.

Só que no momento eu estou me sentindo tão fragilizado por algumas questões pessoais, que comer algo que eu gosto muito enquanto assisto ao meu programa de TV favorito ganha novas prioridades. Sinto-me como se eu quisesse comer Nutella, ou nozes (que adoro) agora para que eu possa sentir certo alívio. Mas isso é visivelmente diferente de me empanturrar de comida num momento deprimido. Acho que o "carinho" por essas coisas seriam a minha morfina, ou propofol, a minha maneira de aliviar, ou pelo menos amenizar, meus sentimentos. Espera aí... Acho que fui contraditório. Não sei. Por mais que eu queira comer, ao mesmo tempo não quero perder a "novidade" do produto que está intacto

É um assunto complexo, que exige um olhar especial. Não necessariamente por um psicólogo, mas como uma reflexão sobre o nosso dia-a-dia e as pessoas a nossa volta. O apego as coisas não pode ser visto como algo supérfluo, e sim como uma forma de escape, seja lá para o que for. Por isso mesmo não posso e nem devo julgar quem corta os pulsos, afinal, eu quero comer Nutella com os mesmos fins. 

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