Autonomia

Acabo de constatar que viver sem autonomia é tão tuim quanto viver liberto demais. O problema está justamente na falta deste equilíbrio, onde a sua liberdade é invadida pela liberdade alheia e vice-versa.

Ao mudar de cidade, cheio de sonhos e vontades, e começar a trabalhar em algo novo, minha autonomia estava radiante. Imaginei que eu poderia assumir quem eu realmente sou com uma postura diferente, roupas que caracterizassem a minha identidade e uma simples vontade de ser feliz. Porém, ao dividir uma kitnet minúscula com alguém totalmente autoritária, cheia de si e de opiniões, todos aqueles sentimentos da mudança em questão foram substituídos pela vontade de estar em casa novamente, pois eu percebi que as nossas liberdades estavam em conflito.

Nunca é tarde para sair da zona de conforto e começar algo totalmente novo. Mas a partir do momento em que obstáculos lhe impedem de crescer e amadurecer naturalmente, aquela velha zona de conforto vai lhe parecer confortante. O problema é que não há como voltar - pelo menos não por agora.

Paciência tem sido a palavra-chave para suportar toda e qualquer onda de sentimentos negativos, mas ela é traiçoeira. Traiçoeira porque quanto mais você força para ser paciente e não externaliza sua angústia, mais estressado e desesperado você fica. E aquela sensação de que iria ser feliz tão brevemente, torna-se apenas mais um desejo que está longe de se realizar.

Encontrar forças ou motivações para me fazer seguir em frente tem sido uma tarefa difícil. De que adianta estar em um novo lugar, rodeado de novas pessoas, com vários locais para explorar, se toda vez que acordo ou chego em casa sou capturado pela angústia e pela sensação de "o que é que estou fazendo aqui?". É nessas horas que passamos a dar mais valor ao que já tínhamos - nossos pais, nosso bichinho de estimação, nossa casa, nossa própria cama, nosso cantinho confortante e amigos que estavam perto mas que mantínhamos à distância por conta da zona de conforto.  

O que fazer para buscar motivações novas sem ter sua autonomia limitada? O que fazer para sair dessa zona de desconforto? Como ser grato sem estar realmente feliz? O que antes parecia monótomo, agora parece ser uma válvula de escape.

Obs. sobre a foto: Essa imagem é de quanto estive em Brasília em 2013. Foi quando eu saí da minha zona de conforto e me senti liberto, com toda a autonomia que eu tenho direito. Mas aquele cone caído me representa atualmente, onde todos levam suas vidas, mas eu vivo em desordem. Poético, não?

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